Parlamentares apresentam novas propostas de correção da tabela do IR

 

10/02/2011 21:00

Deputados apresentam propostas de correção do Imposto de Renda

Em meio à discussão entre governo e sindicalistas, parlamentares apresentam novas propostas de correção da tabela do IR. Deputados defendem índices maiores do que os 4,5% sugeridos pelo Executivo.

Arquivo - Laycer Tomaz
Silva quer correção de 6,46% para recuperar inflação de 2010.

A necessidade de correção da tabela do Imposto de Renda é consenso na Câmara, mas deputados ainda divergem sobre o percentual. Discutido entre governo e centrais sindicais, o tema já está presente em propostas apresentadas neste início de legislatura.

A correção da tabela pretende preservar o aumento real de salário que algumas categorias conquistaram nos anos anteriores. Quando o salário é reajustado e a tabela não é corrigida, muitos trabalhadores acabam saindo da faixa de isenção do tributo ou passam a ser submetidos a alíquotas maiores. Ou seja: apesar de ganharem mais, pagam mais impostos.

Neste momento, o governo sinaliza que pode corrigir a tabela em 4,5%, mas quer, em contrapartida, que as centrais sindicais concordem com um salário mínimo de R$ 545. Já o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), propõe uma correção de 6,46%, o que recuperaria a inflação do ano passado.

Silva apresentou uma emenda à MP 516/10, que trata do salário mínimo. "A ideia que a gente tem não é nem pedir o atrasado. É pedir aquilo que a inflação corroeu", disse. De acordo com o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal, a defasagem acumulada desde 1995 na correção da tabela já chega a 64%.

Outra proposta apresentada neste ano, o PL 20/11, do deputado Milton Monti (PR-SP), reajusta a tabela do Imposto de Renda em 7,6%. O índice se baseou no IPCAMede a variação de preços referentes ao consumo de famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, entre os dias 1º e 30 do mês de referência. Abrange nove regiões metropolitanas do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Porto Alegre e Curitiba), além do município de Goiânia e de Brasília. Calculado desde 1980, oferece uma medida do movimento geral dos preços no mercado varejista. Desde 1999 é usado pelo Banco Central para medir as metas de inflação. acumulado de 2007 a 2010, subtraído das correções autorizadas pelo governo no mesmo período.

Correção gradual
Há parlamentares que defendem, de outro lado, uma correção gradual da tabela, a médio prazo. O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) apresentou o PL 177/11 que propõe uma tabela progressiva de correção com base no INPC, até 2014. "Estou propondo fazer a correção daqui para a frente e, depois, negociar o que ficou para trás. Acredito que o projeto vai atender a necessidade de geral de quem paga impostos", afirma Avelino.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) também prepara um projeto de lei com uma tabela de correção a médio prazo. Na proposta de Garotinho, porém, a correção seria calculada com base no PIB, assim como ocorre com o salário mínimo. “A mesma regra deveria valer para os dois. Se não, os salário sobem numa proporção e a tabela do Imposto de Renda, em outra”, defende.

 

Reportagem - José Carlos Oliveira / Rádio Câmara
Edição – Daniella Cronemberger - 
Agência Câmara de Notícias

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